Archive for abril, 2011

Hoje é dia

Me dá teu caderno que hoje é dia de trocar frases em papeis amarelados. Quero escrever com caneta grossa, assinar ferozmente no canto direito de ti. Com muito amor, com muita dor. Me dá tua caneta que eu vou usar como te uso, te pressionar como te pressionaria entre tuas próprias coxas. Marca esse texto que te deseja, cospe na página que te apedreja. Gruda na janela e veja através da folha amassada um coração enrugado, velho, fraco.
Me dá teu caderno que hoje é dia de trocar nossas capas.

– O desenho é da artista Cath Riley

abril 26, 2011 at 8:22 pm 3 comentários

Liniers

Estou apaixonada pelas tirinhas do argentino Liniers. Conheci ano passado, mas a cada dia elas me encantam mais! O quadrinista criou personagens que vivenciam a simplicidade do cotidiano com ingenuidade e humor. Quem mais me chamou a atenção foi a garota Enriqueta e seu gato Fellini com suas sábias conclusões sobre a felicidade, coisa que falta muito em nós hoje em dia.

Ah! O site dele também toca uma música ótima!

abril 25, 2011 at 8:50 pm 2 comentários

Vê, que coisa é a vida

Vê, que coisa é a vida. Horas estamos tristes porque nossos futuros estão nas mãos de ninguém mais, ninguém menos, que nós mesmos. No meu caso, um grande susto e perigo. Outras horas estamos ensurdecedoramente felizes porque tudo leva a crer que o destino está a nosso favor. Sejamos mais céticos, individuais e realistas: estamos satisfeitos até o ponto que queremos estar. Ser feliz ou ser triste é um estado muito além de forças externas, é quase um estado de espírito consideravelmente controlável por nós. Diz, como você quer se sentir hoje?

(conclusão e trecho de uma conversa noturna e quase etílica desse feriado)

abril 24, 2011 at 6:34 pm 1 comentário

Roda Gigante

Vale ou não vale parar, esperar, terminar ou pausar para o tempo pensar? Bebo mais um copo e decido superar a sua falta. Hoje estou com os poucos amigos que me restam. Eles me fazem rir, baby, de uma forma que você nunca conseguiu. É tarde e agora eu percebo o quanto de mim faltava em você. Somos diferentes e eu nunca trocaria essa cerveja e esse punk que toca no fundo do bar, por todas as suas escolhas previamente calculadas no que o mundo pensaria de você. A vida é isso, amor, uma roda gigante de jeitos e comportamentos. A única coisa que nos aconteceu foi um esbarrão na fila para embarcar.

abril 21, 2011 at 2:47 pm 1 comentário

Para dançar no meio fio

Passou o que era só uma luz, que virou fogo, que queimou o desejo, a vontade do sexo todo dia, do café na cama, do restinho de vinho que ficou na garrafa. Virou pó. Virou cinza de um amor que já foi a maior vontade. Agora é o quê? É tempo. É tempo que resta para olhar uma foto, para sentir um cheiro, para ver aquela luz da ponte do Rio Sena e sentir o outro. Sentir saudade. Enquanto isso a gente vive sem muita pressa de viver. Vivendo bem calmo, só olhando o sol meio gelado que tem a nossa cidade. Passou. Como passam todos os carros enquanto a gente tenta atravessar a Avenida Paulista. Mas dentro de nós durou. Durou como aquela pausa no banco do parque. E assim seguem todos os nossos dias, em pausas e ruas, até a gente entender que acabou. Até alguém que a gente esbarra no supermercado virar alguém que a gente esbarra no restaurante, no ônibus, em casa, no altar. Vira alguém que o outro nunca foi, mas que sempre precisou. Eu sei, parece difícil enquanto se está na calçada, mas logo a gente atravessa… pra dançar pertinho do meio fio da vida.

abril 18, 2011 at 12:58 am 5 comentários

Carta de manhã

“Eu não ia dizer nada, mas não consegui parar de pensar enquanto coava o café. Sofia, ontem você dormiu inteira enxarcada de lágrimas na minha cama. Chegou aqui, um pouco bêbada, pedindo para ficar e eu não tive como dizer não. Se eu pensar bem agora, eu devia ter dito. O que realmente foi inevitável era te olhar dormindo. Sofia, você tinha cheiro de mágoa e olhos borrados de tinta preta da maquiagem. O que foi que aconteceu? O único pedido foi para não te deixar sozinha. Eu não deixei, deixei? Eu fiquei aqui do seu lado o tempo todo, mesmo sem saber o que exatamente estava acontecendo e porquê você escolheu a minha casa, a minha cama para passar a noite. Achei que hoje de manhã tudo estaria bem, eu iria levantar, deixar a chave com você e ir trabalhar. Mas não está dando, estou com medo de voltar e não te ver mais aqui. Fica, mesmo que tenha a chave, mesmo que tenha só esse vestido, mesmo que tenha só você e essa televisão meio velha na sala.

Sofia, eu estou tomando meu café pertubado com o seu corpo na cama.
Por favor, me ligue quando acordar e ler esse bilhete.
Beijos e Bom dia

Obs:
Tem geléia de uva na geladeira, eu sei que você gosta.”

abril 1, 2011 at 4:01 pm 2 comentários


Hoje é dia…

abril 2011
S T Q Q S S D
« mar   maio »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

Sofisticada no Twitter

Erro: Assegure-se de que a conta Twitter é pública.


%d blogueiros gostam disto: