Archive for agosto, 2010

Café

Foi só um abraço. Com ele, decidimos ser amigos pra sempre. Decidiu-se também que podia rolar um beijo depois do abraço, mas que ia ser só um beijo, nada mais. Com o beijo, a gente decidiu que o “nada mais” merecia algumas exceções. Foi só um abraço, um beijo, uma noite. Com a noite veio o frio e achamos melhor dormir junto pra ninguém ficar gripado de solidão. Mas a solidão a dois tem cheiro de camisinha e àgua gelada na madrugada. Tem gosto de café tomado em pé no balcão da cozinha. Solidão a dois começa com um abraço e termina com o sofá na manhã de domingo, com as roupas jogadas perto da janela pra sair o cheiro de cigarro. Estendeu-se a manhã, porque se deu a permissão de estender o abraço, como se estendeu o beijo e estenderam-se todas as outras exceções.

Anúncios

agosto 27, 2010 at 4:45 am 2 comentários

Meu querido filho da puta

Quando eu tiver um filho, eu quero que ele seja um filho da puta. Assim, bem claro, no sentido figurado, um fi-lho-da-pu-ta. Um desses que a gente encontra na vida, sem qualquer escrúpulos. Pois o filho da puta sempre tem lugar no ônibus, enquanto os bonzinhos se arrebentam em pé, cheios de pastas, só para dar lugar à uma senhora. O filho da puta não liga se o chefe vai gritar e reclamar do seu trabalho, ele simplesmente vai permanecer fazendo a mesma coisa, não vai buscar evoluir. O filho da puta sabe, que quanto mais ele busca agradar, menos ele consegue. Enquanto isso o bonzinho se desfaz pela vida aos poucos, dando um pedaço dele para cada um que pede um teco. Meu filho, um grande filho da puta, ficará intacto, inatingível, sem qualquer ferida no amor-próprio. Não posso falhar, não posso fazer com que ele veja o outro lado da vida, uma toda feita de sonhos que nunca se realizam. O bonzinho fica doente pra sempre, se degladiando com dúvidas eternas dentro do peito, na única tentativa de ser feliz. Coitado, ele não sabe que ser educado com o telemarketing não nos leva a lugar algum. Não sabe que é feio dizer não às propostas sujas dos colarinhos mal lavados. O filho da puta termina a vida numa mesa de madeira, enquanto o bonzinho termina a sua numa mesa de plástico e ainda assim permanece sonhando, colocando uma foto da amada ao lado das pastas, colocando um pouco de vida ao lado dos papeis mortos. O filho da puta reconhece pastas como escorregadores e notas como degraus. Meu filho então, será um mestre na filha da putagem, se tornará cada vez mais cego, para jamais olhar o que é bom de imaginar e feio de ver. Para não ver, o que eu vejo.

agosto 10, 2010 at 8:26 pm 5 comentários

Para os errados

Para um querido sonhador, que busca “porque” em tudo, um pensamento longe que me fez correr do ponto de ônibus até em casa, para escrever rapidinho e não fugir da cabeça.

.
Às vezes me sinto como uma coisa errada,
uma coisa que não deu certo,
que não saiu como o programado.
Que se planejou sonhando demais
e enquanto se sonhava, se vivia
e se vivia por não ter mais nada a fazer
ou não saber.
E leva a vida sem nunca se perguntar
a onde se vai,
por que se vai,
se vai.
E acaba torcendo para si mesma,
meio que baixinho, aos sussurros.
Que no fim, no ponto final da vida,
alguém explique o que foi que você veio fazer aqui
mesmo sendo torta,
mesmo sendo errada,
ou mesmo não sendo.

agosto 4, 2010 at 7:56 pm 5 comentários

Agosto

“Para atravessar agosto ter um amor seria importante,
Mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu –
Sem o menor pudor, invente um.”

– Caio Fernando Abreu

agosto 4, 2010 at 3:24 am 1 comentário

Quase nós

Foi um tempo bom, quase um ano. Esse quase é que me mata. Um ano, na vida de todos, é bastante. Em 1 ano comemoramos aniversários, passamos em provas, vemos pelo menos 1 vez cada amigo nosso, visitamos parentes, damos presentes a cunhadas, sogras, sogros ou primos. Em 1 ano já podemos cumprimentar o vizinho com alguma brincadeira, podemos dizer que alguém mudou ou podemos finalmente nos dar a chance de mudar. Esse período de 365 dias, ao lado de alguém, é suficiente para criar uma margem de respeito. “Estamos juntos há 1 ano!”, poderia eu ter exclamado. E hoje, perto de tanta gente que vira vapor depois de uma noite, perto do príncipe de carro branco que vira sapo de saco verde, todos passam a admirar os 12 meses. Com esse tempo, já é possível assustar amores passados que apostaram na morte precoce do novo amor. Já causa desesperança nos aventureiros, fazendo crer que só existe uma pessoa boa para nós. Mas foi quase, quase 1 ano. Não chegou a ter tantos efeitos. Nem assustou o amor passado, muito menos o tirou do meu peito, ainda estava aqui dentro uma lasca da ferida passada. Culpa do quase, que não completou seu dever de me fazer mais íntima da nova família, que não me deu a liberdade de ser de alguém por um período redondo. Ficou nos quebrados, nos 10 meses quebrados. O quase, responsável pela dor no peito que eu senti quando faríamos 1 ano, responsável pela vontade de voltar para casa a tempo do jantar e responsável pelo medo de um dia ele completar esse tempo ao lado de outro alguém… É quase, quase uma saudade.

agosto 1, 2010 at 4:52 am Deixe um comentário


Hoje é dia…

agosto 2010
S T Q Q S S D
« jul   set »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Sofisticada no Twitter

Erro: Assegure-se de que a conta Twitter é pública.


%d blogueiros gostam disto: