Archive for março, 2010

Vida a Dois

Quando eu decidi aceitar a proposta e ir morar com ele, todo mundo achou estranho. Minha mãe resolveu inventar um curso preparatório dona-de-casa para mim. Meu melhor amigo gay me deu um kit de sais de banho com uma colher de pau na cestinha, como quem diz: “Nem tudo serão flores”. Agradeci contrariada. Eu não entendo o porquê ir morar com o namorado exige tanta análise dos meus dotes domésticos. Quando eu fui dividir aquele apartamento em SP com a minha prima, ninguém se preocupou com o fato de eu não saber refogar legumes. Posso saber por que agora é diferente? Ele gosta do meu brigadeiro branco de panela. Ele gosta de almoçar no Subway e não liga de não ter batata chips no strogonoff de domingo. Acho que algo se perdeu aí. Esse algo é o meu amor, e o dele também. Não houve alianças, violinos, restaurante chique e motel no fim da noite. O pedido foi ali no carro mesmo, chegando à festa daquela tia chata dele que não gosta de mim. Foi quase uma piada quando ele disse: “Ei morena, vamos morar junto e matar essa velha de desgosto de uma vez por todas?”, mas foi sério. Foi sério sim porque eu ri e ele esperou a resposta. Quando o homem da nossa vida espera uma resposta dessas, a gente sente uma luzinha de felicidade difícil de explicar. Essa luzinha dá pulos dentro de nós como quem ganha na mega-sena acumulada. E quando eu disse “sim”, eu disse pro mundo inteiro ouvir. Eu era a mulher mais feliz do mundo porque o cara que eu amava queria me amar assim, todo dia. E nem pensamos em lavar o banheiro ou na dificuldade de dobrar panquecas. Até mesmo isso parecia ser fichinha perto da tia chata que nos esperava fora do carro. Não é contrato, não é conta-conjunto, nem filhos daqui 2 anos. É dividir a mesma cama, é voltar para casa achando que todos no metrô sabem que você é linda, feliz e mora com o amor da sua vida, só de olhar pra sua cara. É por isso gente! É por isso que eu estou indo para aquele apartamento de 2 quartos e cozinha vermelha. É pela felicidade! Seja ela feita de amor ou de panquecas mal-dobradas.

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março 29, 2010 at 2:11 pm 1 comentário

Mau Humor

Eu faria um texto bem bonito se não fosse esse meu pé gelado que me incomoda. Escreveria sobre como não doeu nada guardar suas fotos na gaveta ou sobre como é difícil ler um livro por obrigação. Eu podia contar que tive vontade de chorar a tarde inteira porque é difícil demais viver num mundo cheio de gente e não encontrar ninguém para dividir um pão com geléia no café da manhã. Mas eu não quis. Eu preferi ficar no quarto, ouvindo minhas músicas e curtindo a pena de mim mesma que insisto em ter nesses dias de chuva. Disse não ao convite, senti que era por educação. Ou nem senti, mas preferi achar isso para não me sentir culpada por não ter aceitado. Disse sim ao chocolate e a coberta xadrez. Quase pedi para alguém me dar banho, para escovar meus dentes, pentear meus cabelos, me dar um beijo e desejar boa noite, bom dia, boa semana, boa sorte. Ao invés disso, pesquisei na memória o que me fazia feliz e dei de cara com um barbudo que desapareceu da noite pro dia. “Memória de Merda!” protestei. Voltei a dormir.

março 29, 2010 at 2:11 pm Deixe um comentário

Para estar ao lado

Não faz assim garota, não escreve pra ele não. Deixa ele esperar a hora do almoço, esperar todos saírem e esperar o site abrir. Deixa ele esperar tudo, para não ver nada. Deixa, porque assim ele te liga hoje a noite. Mas não faz isso garota, não diz pra ele que foi bom. Não diz que quer de novo, que quer amanhã, que quer pra sempre. Não publica nesse seu site bobinho que a cama dele é boa. Os seus irmãos vão ler, o seu chefe vai ler, seu amigo, seu ex, seu vizinho. Todo mundo vai saber. Então deixa. Deixa ele achar que você não gostou. Que você não quer escrever porque não há o que ser escrito. Aposto que ele liga. Liga sim. Liga pra saber se você vai atender, se vai lembrar, se quer um café e se o teu mundo pode parar de girar um pouquinho e encostar levemente no dele. Só para sentir, por alguns segundos, como é bom poder viver no mesmo ritmo que outra pessoa.

março 29, 2010 at 4:15 am 1 comentário

Receita para curar

Era a nossa caminhada matinal de sábado. Foi quando eu tropecei ali na esquina do restaurante mexicano que nós rimos. Rimos porque nós duas juntas só sabemos rir da vida. Só sabemos tropeçar nos problemas e nas calçadas. O legal era estar ali, em companhia, para lembrar de todos os tropeços e acertos. 3h caminhando e 3h falando, não importasse o quanto isso nos cansasse. Passavam velhos, crianças, bicicletas, cachorros e um novo patinete, agora motorizado, que me chamou de velha quando passou carregando seu dono em cima. Ou eu mesma me chamei, mas isso nao importa! Importa que continuávamos ali, caminhando. Eu, com o emprego perdido, a cabeça confusa e uma dor no tornozelo. A Lu, com seus dois amores, talvez três, mas um vazio no peito tentando ser preenchido pela brisa do parque. Amigas, trocando idéias, assuntos, programas e vazios.

Eu apontei para uma casa e disse: “Quero morar em uma igualzinha!”, só para dar o ponta-pé inicial. Começamos a falar sobre casar, com quem casar, onde morar, ter filhos, deixar ou não eles fumarem maconha. A promessa de uma ser madrinha do filho da outra, de morar na mesma rua e de fazer carne de panela todo sábado. Até a gente chegar em casa cansadas, tomar água e comer frutas como se fossemos saudáveis assim a semana inteira.

O importante é que no fim de tudo isso, da caminhada e da conversa toda, a alma estava renovada. Éramos novas! Deixamos na ciclovia todos os vazios, na esperança de algum patinete motorizado atropelar.

março 24, 2010 at 2:18 pm Deixe um comentário

Lá no quinto andar

Enquanto você cozinha eu fico na sala gritando os recados do seu twitter. Você me diz que é para responder isso e indicar aquilo. Interrompe perguntando se eu quero com muito molho de tomate ou pouco. Eu digo muito, mas você já sabia a resposta e tratou de caprichar. Meu cabelo está amassado e a sua camiseta grande me deixa pequena, assim como quando você me abraça. Eu gosto de você e gosto de sentar aqui na mesinha de centro da sua sala para comer macarrão no domingo à tarde só porque a gente não conseguiu acordar mais cedo. Dá vontade de ser domingo à tarde todo dia. De ser sua camiseta grande, o macarrão e o seu twitter desatualizado todo dia. Você ri das marcas de sapato no meu pé e pergunta como eu consigo ser tão mulher durante a semana e tão menina aos domingos. Aí eu digo que é só pra você cuidar de mim e você ri. Dá vontade de dizer que eu seria assim menina todo dia se você quisesse. Não faz isso, não diz que eu sou mais bonita de manhã cedo. Não diz que quer me ver ali no seu banheiro escovando os dentes só porque é bom ver alguém que a gente gosta quando acorda. Eu não posso dizer não ao meu mundinho chato cheio de revistas e mulheres só porque você diz coisas legais, tem um cabelo legal e dança legal. Para de me olhar enquanto toma suco! Para de me fazer rir! Para de ser assim… tão meu.

março 20, 2010 at 8:39 pm Deixe um comentário

Se você permitir

Eu sei que não é hora de cobrar. Na verdade, essa monga aqui nem teve essa intenção. É que eu só queria que você olhasse um pouco pro seu lado e quisesse alguém. Alguém que, por egocentrismo da minha parte, fosse eu. Ah! Tudo bem, mulheres tem essa coisa louca de querer atenção (eu principalmente), mas é que eu passei a semana inteira trabalhando que nem uma escrava para ter o final de semana livre e compensar todos os programas furados. Só que eu não consegui. Ao invés disso eu só me senti incomodada, achando o tempo todo que você não me queria ali. Uma vez você me disse que não conseguia ficar muito tempo com alguma garota. Eu entendi e engoli o aviso pra nunca esquecer. Mas eu esqueci. Eu fiz o que toda mulher burra faz, esquece. Desculpa então, por ser como toda mulher. Desculpa por ligar cobrando, por querer atenção, ou ao menos querer ficar do seu lado e querer te distrair. É mesmo uma coisa burra de se fazer. Aí eu encho a minha fuça de coragem, conto até três e venho aqui te escrever. Eu sei que vou esperar uma resposta que não vai vir e eu sei que posso perder você. Mas sabe o quê? Fiquei a semana inteira esperando ligações que não vieram e programas que se perderam. Agora vai ser só mais uma vez. Ou a última. Porque eu não sei se é besteira minha, mas algo está me dizendo que você já não me quer mais. Seja como for, eu gosto muito de você e nao posso negar que vou chorar mais litros do que já chorei essa semana, que nao vou entender, que vou olhar no espelho e falar “Ei garota! Me diz o que vc fez de errado!”. Talvez eu me entupa de Fanta uva, talvez desconte tudo nos clientes chatos, talvez eu faça um drama monstro! Mas no fim eu só vou lembrar de coisas boas que eu passei com você e vontades boas que passamos juntos. Eu só quero que você fique bem de novo, eu só quero que você me ligue de novo, para assim eu poder parar de correr quando o telefone toca. E quer saber uma coisa? Eu estou de TPM, você acertou.

março 19, 2010 at 12:46 pm Deixe um comentário

Mania de dia seguinte

Amanhã eu vou fazer tudo certo. Vou ser mais simpática com o porteiro que dá em cima de mim, vou deixa meu melhor cd tocar no carro sem a vergonha de cantar com a janela aberta. Comprar o casaco que estou namorando à meses e agradecer meu cartão pela sua existência. Amanhã eu vou acordar cedo, tomar um leite quente com ovomaltine, comer o pão de mel que sobrou de hoje. Amanhã eu vou acordar e já tomar banho para me sentir limpa e cheirosa o resto do dia. Amanhã eu vou ligar para ele só para ouvir uma voz gostosa logo de manhã e imaginar que ele está do lado esquerdo da minha cama, que quase sempre está vazio. Amanhã eu vou sair, amanhã eu vou vestir a calça que me deixa sem bunda, a blusa colorida, o tênis que nunca uso. Amanhã eu vou sim, vou ser feliz.

março 19, 2010 at 12:25 pm Deixe um comentário

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