Archive for novembro, 2008

O Primeiro Emprego

O terceiro ano terminou, o resultado do vestibular ia demorar e o meu tédio estava ficando entediado. Como de costume eu e minhas duas melhores amigas fomos no nosso café preferido. No meio da conversa das duas, sobre faculdades e estágios, deixei escapar que estava pensando em trabalhar em alguma loja no shopping e encarar o corre-corre do mês de Dezembro. Quis me matar. Achei que as duas iam me chamar de louca, mas não! Me apoiaram e fizeram eu insistir na idéia de girico que tive. Tudo bem, não deve ser difícil. Não foi. Realmente não foi. Um santo amigo perguntou se eu tinha interesse em ir com ele pedir emprego na livraria moderninha do shopping classe alta de Curitiba. Topei. Topei e rezei. Vesti minha cara de pau e deixei o currículo em outra loja. Ensaiei mil jeitos de contar para a minha mãe. “Oi mãe, estou pensando em procurar emprego para dezembro e meu amigo me perguntou se eu quero trabalhar naquela livraria lá sabe e eu falei que achava que nãããão, mas disse que acompanhava e ele está aqui e nós vamos lá e pode ser legal sabe e eu juro que só vou aceitar se for legal e…” e ela gostou! Em menos de 5 dias eu estava conversando com a gerente e conhecendo os meus 3 novos colegas de trabalho. No mesmo dia a outra loja me liga e marca outra entrevista. No almoço com o meu pai escuto um “Parabéns! Gostei da atitude!”. Uau! Não achei que queriam se livrar tanto de mim assim. Bacana, pensei. Terei meu salário e vou comprar aquela bolsa, aquele vestido, aquela blusinha e quem sabe uma televisão nova lá pra casa! 4 semanas de trabalho e 4 minutos para gastar o salário ainda não materializado. Fato: Confusão na carteira de trabalho, entrevistas de RH que fazem as minhas aulas de Física serem divertidíssimas e uma pontinha de dor no coração em negar uma das propostas. “Ai moça, sabe o que é? Eu queria muito muito muito muito meeeeesmo trabalhar na sua loja e eu gosto muito dela e eu juro que vou continuar comprando nela e se você puder guardar essa vaga para eu poder ocupar ano que vem quando eu voltar das férias de verão eu juuuro que aceito e… Poxa! A senhora tinha mesmo que me ligar só hoje às 20h30 da noite? Agora eu já assinei a porcaria do contrato com a Livraria que me paga mais!”. Caramba! Acho que essa será a primeira e a última vez que poderei escolher onde quero trabalhar. Em plena crise mundial estou esbanjando capacidade de convencer o quanto uma velha gorda combina com aquela saia jeans rasgada ou o quanto vale a pena comprar 5 livros e pagar só em Janeiro do ano que vem (como se estivesse muito longe).

novembro 26, 2008 at 11:31 pm 5 comentários

Foi assim

– Foi assim sim senhor porque eu lembro bem!

– Então me conta com detalhes, vai!

– Primeiro você entrou e me viu, mas eu não te vi. Depois eu vi seu amigo, mas ele não viu. Aí eu te vi de longe, na porta do banheiro e um pouco depois você me viu de longe, na frente do bar. Mas a gente não se viu junto. Eu acompanhei o seu amigo com o olhar e ele acompanhou a bunda de outra menina com o olhar. Você foi até o bar e pediu uma cerveja. Mais tarde eu iria descobrir que você não gosta de cerveja e você iria descobrir que eu só estava segurando a garrafa para a minha amiga prender o cabelo. Então você largou uma piadinha no ar e eu larguei um sorriso para você pescar. A música mudou, você me chamou e a gente dançou. Depois de “três passinhos pra cá e três passinhos pra lá” em um ritmo moderninho e descolado, finalmente você se deu conta que conversar na pista de dança não dá certo. Vamos parar de gritar, vamos subir, para você me pedir um beijo, para eu te dizer não, para você insistir e fazer surgir de repente uma saudade das minhas amigas… “Preciso descer!”. Eu te deixo e você sussurra para o seu amigo “Eu tentei” e as minhas amigas gritam no meu ouvido “Por quê não?”. Aí vem aquele sorriso sem graça, os esbarrões no corredor e você pergunta “Quer subir de novo?” Quero! Deixa eu ver se você é tão interessante quanto bonito. Me diz o que vai ser quando crescer, quantos filhos vai ter e se ainda quer me dar um beijo. Quer, mas não me dá. Agora o seu amigo senta do lado e puxa assunto. Tarde demais, viramos amigos. Chamamos um taxi (para cada um), trocamos os números.
– Até qualquer noite!
– Até…

novembro 19, 2008 at 3:27 am 4 comentários

2008 não está de mudanças

Como todo o ano,  Novembro é mês de… Retrospectiva! Aqueles famoso textinhos contando o quanto eu fui ridícula, o quanto eu fui burra, o quanto eu fui apaixonada, quantas vezes me fizeram de otária, quantas vezes fiz os outros de otários, o quanto eu me arrependo, o quanto eu não me arrependo. Coisas que nunca mudam e nunca vão mudar. É quando você sente saudade de todos os seus amigos, parentes, cunhadas e vizinhos. Promete ser diferente e depois até acha que o ano passou rapidinho. Sinceramente? Esse ano foi péssimo! Foi confuso! Por isso nem dá para eu vir aqui e dizer “Olha, meu 2008 foi assim, assado e daqui em diante serei uma pessoa melhor”. Não! Não serei não! Está decidido! Continuarei com os mesmos brincos pequenos e cabelos presos. A mesma atração instantânea por usuários de vans e o mesmo tesão agudo por tocadores de gaita. Não me sinto ridícula por isso. Aliás, me sinto patética por bem menos e nunca morri. Claro que um pé-na-bunda, uma reprovação no vestibular (duas talvez) e 5Kg de gordura grátis para a minha coxa não me fizeram nada feliz. Só não serei hipócrita de dizer que algo vai mudar por livre e espontânea vontade minha. Logo eu, que nunca entrei em uma academia, resolvi estudar física pela primeira vez no cursinho e levar um relacionamento a sério sempre foi o desafio do ano! Mas não morri, isso que importa. Ainda tenho tempo para olhar no espelho e rir do meu drama. Da cara de infeliz que faço como ninguém quando quero atenção. Ainda tenho muito tempo para me imaginar sendo gente grande. E imaginar o que vou imaginar quando já for gente grande. Vou ser velha? Vou dançar valsa? Vou saber dançar valsa? Vou morrer? Eu não quero saber! Eu só quero pensar, sonhar, olhar e me achar capaz de ser infinitamente feliz no futuro, sem ter que mudar tudo a cada ano.

novembro 15, 2008 at 2:32 am 4 comentários

Esse peito cheio de tanto amor

Sempre foi assim, sempre me odiaram pelo que eu sinto e o que eu deixo de sentir. Principalmente pela facilidade como faço ambas as coisas. Preciso de um pretexto para insistir. Até o dia que eu te vejo sozinho, sentado em um degrau de pedras e pergunto como quem não viveu nada:
“Ei menino, o que é esse peito cheio de tanto amor?” É, eu sei me fazer de boba. É só olhar para você que a minha cabeça dói e de repente eu sinto tudo isso que você está sentindo. Mas passa, você sabe que passa. É essa minha regata preta que me aperta, é esse sol que me derrete, é tudo que me incomoda motivo suficiente para ficar longe de você. Porque não dá. Porque você está gostando e eu não posso suportar amor de mais. Amanhã eu já não vou estar com vontade de sair de casa, amanhã vou querer viver o sábado como à 2 anos atrás. Vou querer fazer à fria e insensível. É mais fácil, rápido e menos doloroso. Agora eu sei porquê todos aqueles que um dia gostaram de mim, hoje me odeiam. Me odeiam um ódio que muda quando me vêem. Acho cretino me orgulhar disso. Então eu fecho a conta sem pagar o expediente. Fica assim, suspenso no ar, um lance de volta, retorno, esperança. Minha, dele, sua e de quem quer assistir.

novembro 2, 2008 at 4:41 pm 7 comentários

Drama

“It’s my party and i’ll cry if i want to!
Cry if i want tooo!
Cry if i want toooo!
You would cry too if it’s happened to yooou!”

Sofia encontra-se no momento dançando de meia pela casa, tomando 2 litros de Fanta Uva, cantando Lesley Gore e perdendo o que lhe resta de dignidade.

Ou seja, fazendo (como ninguém) seu dramalhão sofisticado.

novembro 2, 2008 at 4:05 pm 1 comentário


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