Archive for outubro, 2008

O que sobrou

Milhares de mims, cambada de meus, turbilhões de eus.
Pequenos tus, minoria de tis e alguns gatos pingados de nós.

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outubro 22, 2008 at 11:09 pm 4 comentários

Um breve desgosto próprio

Eu queria entender quem foi que me deu palavras. Quero dizer, palavras todo mundo tem! Todo mundo aprende. Não é como tela e tinta. Não é como filme e luz. Eu tenho algo que todo mundo tem, mas raros querem. Eu não entendo números, tenho nojo de cadáveres e não sei administrar nem mesmo a bagunça do meu quarto! Sem dizer que eu e o fogão não temos uma relação muito boa. Então, assim só me sobram as letras. E querem saber? Estou desgostosa! Estou de mal com as folhas pautadas! Quero aprender a tocar gaita e desenhar um rosto sem esquecer as orelhas. Quero me sentir mais útil do que simplesmente ler e escrever. Me irrito toda vez que alguém fala “legal seu blog” e nunca mais volta. Eu sei, não é obrigação nenhuma mas… Poxa! Por quê eu não me sinto útil? Por quê utimamente tudo que eu faço é para mim mesma? Não faz diferença alguma para a humanidade se existe um blog verde, amarelo e azul-petróleo-claro na bendita infinitude da Internet. Então eu estudo o ano todo para passar em uma faculdade cujo curso de comunicação é o pior do sul, para quê? Para ouvir comentários de que a profissão do futuro será Engenharia Florestal? Para me dar vontade de engolir os 4 anos do curso sem dizer um “ai”? Me vê por favor um semestre de Direito, outro de Medicina, mais um de Geologia e um bocado de Design? Que dilema patético é o vestibular! Que coisa mais imbecil me sentir menos útil do que qualquer profissão só por saber fazer o mesmo que qualquer universitário de esquina. Aposto que esses textos feitos sobre personagens inventados, histórias de amor inventadas, situações inventadas não dão emprego à nenhuma adolescente de 18 anos. Eu não sei o que eu estou fazendo, não sei o que passou na minha cabeça quando escolhi essas duas profissões para arriscar. Na verdade, acho que nada passou. Acho que fui levando tanto quanto tenho levado minha vida, com a barriga. Empurrando, adiando, daqui a pouco eu vejo, daqui a pouco eu penso, outro dia viro alguém, hoje vou ser só mais uma. Agora, bem feito para mim que nunca levei esporte algum à sério, que nunca me esforcei para aprender a tocar, desenhar, pintar, contar alguns números… ou alguma boa história.

outubro 18, 2008 at 3:14 am 4 comentários

Eu sou mais secreta que a minha própria alma

E me pego calada, sentada, pensando. Com as costas encostadas na cama, com a calça jeans grudada, com as minhas roupas mais largas no chão do quarto para tentar simular alguma presença sua. Liguei o rádio alto para cobrir as suas risadas na minha cabeça. Olha, eu estou bebendo água nesse copo plástico como se fosse vinho em taça de cristal e… Sinceramente? Me sinto tão bêbada quanto. E agora eu não inspiro mais, agora eu puxo o ar com a velocidade de um soluço. Eu já não expiro mais, agora eu largo gás carbônico com o peso de um alívio. Há muitas coisas que existem dentro de mim além de ar, há muitas pessoas, há muitos lugares, existem algumas várias de mim brigando para ver qual delas mais se define. Eu prefiro aquela que morre, a mais fraca e indefesa. Eu preferia ter meu interno delicado, trancado, calado tanto quanto eu estou agora. Por quê eu não posso ser uma mulher mal-comida igual todas as outras milhares que existem no mundo? Por quê eu não cosigo ser grosseira, porca, estúpida e sem coração? É sempre esse sorriso gratuito, com olhos puxados e boa vontade. É sempre esse coração burro, sensível que treme toda vez que eu fico longe de você. Um dia todo mundo cansa de bondades. Eu cansei. Eu quero brincar de encarnar alguma artista plástica neurótica, solitária e incrompeendida. Quero fazer arte sem me achar arte. Custa ser um pouco mais complicada? Meu problemas são sempre tão certinhos, tão fáceis de administrar. São quase sempre feitos por mim mesma, na minha preguiça típica e infinita de viver organizadamente.

outubro 18, 2008 at 2:42 am 1 comentário

Ao meu melhor amigo,

Aquele por quem um dia me apaixonei e engoli em seco o desafio do “estragar a amizade”. Aos dias que voltamos para casa juntos depois da aula. A estranha forma com que aquele grupo de cinco amigos, de repente virou só nós dois. Aos beijos roubados, a crise das férias, as mãos-dadas e aos abraços demorados e escondidos. Ao desejo reprimido, a vergonha, as suposições. A certeza e a incerteza. Ao lógico e ao destino. Aos caminhos feitos e aos caminhos escolhidos. A toda essa vontade de ficar o dia todo abraçada a ele. As brigas e desculpas. Mais as brigas do que as desculpas. Ao Go Ear, a Fanta Uva, a crise de identidade das Jujubas (ou como você prefere chamá-las: Balas de Goma), aos seus moletons mais quentes que os meus e… Claro, ao ponto de ônibus, onde tudo começou. Ao meu melhor amigo dedico as melhores lembranças, a mais insensata história de amor.

outubro 13, 2008 at 11:20 pm 3 comentários

Bic, Danet e crises de vestibular

Olha como você é ridícula! Olha esse cabelo ridículo! Esse óculos roxo ridículo! Ai menina! Anda direito! Senta direito! Conjugue os verbos feito gente! Que mania é essa de comer Waffles e tomar achocolatado no Terceirão? Isso é coisa para a sua idade? Engole o choro! Pára de ter pena de si mesma! Grande coisa você não saber nada de Física mecânica! Eu não tenho nada a ver com isso! Eu sou sua consciência e não o seu cérebro! Pára de repetir que você não vai usar isso para nada na sua vida, usa sim! Usa para passar no vestibular! Agora volta para aquela apostila azul royal e dê um jeito de entender aquelas fórmulas chatas cheias de coisas que querem dizer outras coisas em outras apostilas cheias de outras coisas! É o jeito! Está no programa, não reclame! Quando eu era a consciência de outra menina, era muuuuuuito mais fácil! A garota não me dava trabalho algum! Não era chorona e dramática feito você, que vergonha viu?! Larga essa vontade louca de explodir o mundo vai. Solta a caneta bic, faz favor? Enfiá-la na cabeça não vai fazer você passar no vestibular! Sim, sim, eu sei. O mundo é injusto, você não merece isso, ninguém te ama, ninguém te quer “blábláblá” entendi. E agora? Passou? Vamos lá, eu deixo você se entupir de Danet de chocolate! Mas só hoje, ok? Vou deixar para pesar mais tarde, quando você terminar.

outubro 7, 2008 at 12:12 am 4 comentários


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