Archive for agosto, 2008

Uma aula sonolent…

O sol entra pela fresta da janela e bate no meu rosto. Com o frio da manhã, esse sol é desejado por todo o resto da turma. Minhas bochechas esquentam. A sala fala com seus sussurros. A voz do professor ecoa ao microfone. Cadeira de estofado azul. Sou uma entre outras 199. Afundo nela, deixo minha nuca encaixar no encosto traseiro. O sol ainda assim ilumina meu rosto. Inclino para o lado, apoio o cotovelo direito no braço da mesa e a mão fechada, em punho, grudada à orelha. Aquela voz continua ecoando… ainda sei do que ela está falando. É o histórico do… do.. do petróleo no… como é… Oriente Médio! A voz está dizendo sobre 1973… sobre o primeiro aumento da OPEP… Eu sei disso… Acho que se eu fechar os olhos… e só ouvir… talvez… eu não… durma.

agosto 26, 2008 at 11:58 pm 4 comentários

Eu e você.

Falta um pouco mais de paciência, um pouco mais de tempo, de mim, de você, um pouco mais de nós. De esforço, de conquista, de espera, falta conforto, satisfação, paixão. Falta você em mim. Me liga de novo, me diz que só ligou para não falar nada, me perguntar novamente que dia é hoje, que horas são, o que eu fiz e o que eu quero fazer. Não faça eu me sentir descartável, usável, considerável. Quero ser objeto destaque, estar na sua prateleira. Exibida em primeiro plano, foco e luz. Imaginar dali e diante um mundo feito em duas pessoas. Eu e você.

agosto 24, 2008 at 2:56 am 3 comentários

O inexistente em 9 frases

– E então eu fui embora vazia. Nada ali me pertencia. Nem braço, nem rosto, nem mão. Carreguei o que já levava. O adeus, sem pedido de retorno. “Fica mais, eu gostei de ter você”. O nada. Caminhei para longe dali, cheia de pernas, cheia de passos e suspiros fortes. Acabou aquilo que nunca existiu.

agosto 24, 2008 at 2:26 am 1 comentário

“Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva…”

Fiquei no mínimo 15 min olhando o teclado e imaginando o que escrever. Chutei palavras, nomes, assuntos. Fechei os olhos e apertei uma letra qualquer na esperança de iniciar um texto com ela. Abri. Decepção. A janela verdinha perguntava “O que Você deseja localizar?”. Maldito F3! Malditos atalhos! Eu posso escrever nessa janelinha verde qualquer coisa? Posso? Posso pedir para ela localizar a minha blusa branca aberta nas costas? Meu casaco laranja? Meu futuro marido, pai dos meus filhos? Só para dar uma espiadinha! Nada de mais, juro! Ah, ta bom, vá! Essas coisas é melhor nem ver! Se não a gente nem casa! E além de localizar roupas perdidas, terei que apelar para o F3 localizar possíveis bons partidos. Eu não sei o que eu quero localizar! Eu não sei o que eu quero escrever! O que eu estou sentindo, comendo, tomando, gostando. Eu ando meio protegida contra possíveis choques emocionais. Como se uma coragem dentro de mim evitasse qualquer tipo de abalo. Mentira. Coragem nada! Só ando meio insensível mesmo. Como diz aquela música do Arnaldo: “Já não sinto amor, nem dor. Já não sinto nada. (…)”.

agosto 24, 2008 at 2:01 am 1 comentário

Pela metade

Não adianta insistir não é mesmo? Eu posso escorregar no banco do passageiro do seu carro, no maior charme e dizer que estou cansada e quero dormir ali mesmo que você vai rir com o canto da boca, desviar o olhar e balançar a cabeça como quem quer, sem poder querer, me tirar esse sono de alguma maneira. Eu posso até fingir que me preocupo demais com seus outros relacionamentos, mas eu não consigo. Enfiei na minha cabeça que entre nós dois a conversa é diferente. Não existe mulher alguma que você entenda menos do que eu. E no que se diz respeito a complicação, eu sou campeã. Sou menor, sou devagar, sou mais dia do que noite e quanto mais eu quero, mais vejo o fim da história chegando perto. Não quero amores sustentados a vodka e balada. Quero amores com gosto de comida em casa e passeios de bicicleta.
Eu posso brincar de segurar sua camisa como criança que quer pedir algo ou beijar estalado na tua orelha só pra começar uma guerrinha a qual eu sempre perco. Mas eu também posso morder tua boca, jogar os cabelos para o lado e tentar imitar alguma personagem sedutora que vi na tv. Eu sei que você vai rir da forma como eu tento ser mulher e vai achar graça em tudo isso. Vai saber que guerrinhas de beijos estalados são mais minha cara do que unhas vermelhas e mordidas no lábio. Vai saber que eu vou encostar a cabeça no travesseiro e morrer de vergonha dessa tentativa de sedução frustrada. Isso me agrada. Sentir que você sabe a verdade, a minha verdade. A minha cara, o meu jeito. Sentir que você ri e desvia o olhar balançando a cabeça, por pura vontade de me ter inteira e não pela metade.

agosto 17, 2008 at 7:16 pm Deixe um comentário

Ela é mais mpb

É mais receber visitas no fim de tarde e ficar sem fazer nada em casa. Essa menina é mais mpb, menos hip hop. Ela é mais dizer a verdade do que se enrolar com as próprias mentiras. Ela diz que sim, depois diz que não. Fala “chega”, depois pede “vem”. Ela é mais companhia, menos tumulto. Essa menina tem medo, tem sim senhor, ela não é como as outras, ela tem um pé atrás. Essa menina quer mais abraço, mais atenção. Quer um banho, quer uma cama, quer escutar que tudo vai valer a pena. Essa menina é muito estranha, muito “esquisitinha”, deveria desistir de entendê-la. Vem pra cá, vem fazer um café, um cafuné. Só não diz que não vai estar. Essa menina não vai gostar.

agosto 12, 2008 at 10:22 pm 1 comentário

“De repente, ele lembra. Caraca! É mesmo! A menina escreve. Sem pudor. A essa altura do campeonato, já deve ter um texto publicado falando da noite anterior. Será que ela achou bom? Será que ela vai publicar o tamanho da minha alma? Da minha tatuagem? Do meu pé? Precisa entrar logo naquele site desgraçado. Corre com seu carro que ainda tem o cheiro dela e uns fios de cabelo, agora castanhos escuros, pendurados no assento do passageiro. Foi bom. A noite foi boa. Ela não vai falar mal de mim. E também não vai falar nada de mim. Nem bem. Como ele quer que ela seja misteriosa e suma durante todo o dia de hoje. Ele quer sentir o frio na barriga, o nervoso. “Não seja fácil, minha filha. Não escreve que gostou. Deixa eu sofrer um pouco. Deixa?”
Abre, vai de uma vez. Vai. E de repente. Lá está. Um texto. Um texto pra ele. Caramba, ela já escreveu? É o primeiro texto que alguém escreve pra ele, tirando cartinhas que ele nem lembra mais onde foram parar. Agora era uma escritora de verdade. Ele ri, porque a escritora de verdade se acha um pouco dizendo que é de verdade.
Ele gosta um pouco dela. Não tem mais como fugir. Que receio. É, da medo. Ela deve estar com medo também. Gostar, para os dois, significa começar o inferno tudo de novo. Mas ela, quem diria, escreve lá no texto que topa. Topa começar tudo de novo. E faltando dois parágrafos pra terminar o texto, ela manda, na lata mesmo: “quero te ver de novo”. O que será que ele vai responder?
Ele então pega o café. E sai cantando como se o dia estivesse diferente.”

T.Bernardi

agosto 10, 2008 at 9:08 pm 2 comentários

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