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Para dançar no meio fio
Passou o que era só uma luz, que virou fogo, que queimou o desejo, a vontade do sexo todo dia, do café na cama, do restinho de vinho que ficou na garrafa. Virou pó. Virou cinza de um amor que já foi a maior vontade. Agora é o quê? É tempo. É tempo que resta para olhar uma foto, para sentir um cheiro, para ver aquela luz da ponte do Rio Sena e sentir o outro. Sentir saudade. Enquanto isso a gente vive sem muita pressa de viver. Vivendo bem calmo, só olhando o sol meio gelado que tem a nossa cidade. Passou. Como passam todos os carros enquanto a gente tenta atravessar a Avenida Paulista. Mas dentro de nós durou. Durou como aquela pausa no banco do parque. E assim seguem todos os nossos dias, em pausas e ruas, até a gente entender que acabou. Até alguém que a gente esbarra no supermercado virar alguém que a gente esbarra no restaurante, no ônibus, em casa, no altar. Vira alguém que o outro nunca foi, mas que sempre precisou. Eu sei, parece difícil enquanto se está na calçada, mas logo a gente atravessa… pra dançar pertinho do meio fio da vida.