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Tá bom, eu vou falar: Eu sinto!

A gente tende a essa coisa louca de não querer contar para os outros o que a gente é, foi, fez, quer fazer… e pior: o que a gente sente. Um bocado de vezes me peguei querendo escrever algo aqui e não fazendo por medo de quem vai ler. Todo mundo sente saudade, sente amor, sente dor, sente todas essas coisas bonitinhas! Mas ninguém fala quando sente vontade de beijar a balada inteira, de encher a cara ou de puxar o cabelo da vagabunda que ele comeu naquela viagem para a praia. São coisas feias né? Não é certo sentir isso… mas TODO MUNDO sente! E ciúmes? Dá pra segurar? Dá pra fingir que nao sente? Não dá! Por mais que eu fique quieta, está estampado na minha testa! Aí aparece aquele amigo gay que finge que não leu e pergunta “que cara é essa?”. É fome! Fome é desculpa pra tudo, menos para enganar o amigo gay. Menos para ciúmes. Aí a saudade começa a bater, depois vem a vontade, a solidão, bate tudo no liquidificador e vira essa mistureba aqui se revirando no meu estômago, no meu peito, na minha cabeça. Dá vontade de botar tudo pra fora! Cadê meu amigo gay? Eu preciso de um abraço, de uma dança, de um sex on the beach que me deixe bêbada como da última vez. Preciso de alguém que olhe na minha fuça e diga para eu parar de sentir tudo assim, de me incomodar com tudo assim. Mas ciúmes é tudo assim sim! “Mas é ciúmes do que não existe Sofia!”. Existe sim! Porque eu tenho sexto sentido, sétimo, oitavo, trezentos! Trezentos, ouviu bem?!?! Sou tipo uma super mulher, super sensível, super exagerada, super cheia de vontade de ir na maldita festa da espuma com você. Super cheia de sentir uma coisa que eu não sei explicar e que eu só sinto quando eu desligo o telefone. É raiva, é saudade, é choro, é ciúmes, é… Ai que vontade de ser chata! De ser uma namorada pentelha igual daquele seu amigo lá. Só por um dia! Só para não viver me perguntando se alguma coisa aconteceu nessa festa. Mas eu quero ser legal! Eu quero ser a garota que você sempre quis. Bonita, simpática, engraçada, sorridente… e liberal! Por mais que o último quesito exija mais de mim do que a minha vontade. É, vou terminar dizendo que está tudo bem, que ele pode ir, que eu vou ficar bem porque amanhã vou jogar stop com as minhas amigas quando acabar o assunto. Que nada! Estou aqui, enfiada no computador com um refrigerante de guaraná com chá verde que eu odiei, me mordendo de raiva do carnaval. Época imbecil que me faz escutar sempre o mesmo “iiihh” quando eu falo para onde você foi e onde eu me encontro. Tá vendo? É raiva das pessoas! É raiva dos outros! Das outras principalmente! Quantas outras existem numa festa da espuma? Porque eu estou aqui tomando um refrigerante verde e tentando adivinhar, mas não estou conseguindo! Puxa vida, tudo isso para ser legal. Todo esse esforço e escuto uma vozinha no telefone que quase diz para eu parar de ligar. Ta bom, eu paro. Eu vou escrever a noite inteira um monte de baboseiras que ninguém escreve, sobre as vontades que ninguém fala e tomar esse refrigerante… que ninguém toma!

4 comments Fevereiro 23, 2009

Finita

Eu sou mesmo boba, teimosa, estressada, cheia de manias, cheia de papel de bala nos bolsos, cheia de sapatos e caixas no quarto. Quando eu estou concentrada eu bagunço os cabelos sim, borro maquiagem e faço bico. E daí? E daí que eu tenho esse jeito? Eu não sou menos humana, menos mulher, menos sentimental, menos carente! Eu não gosto de receber “não”, “talvez”, “quem sabe”. Eu brigo, xingo, bato o pé e digo: “Eu-não-ligo”. Mas eu ligo. Basta a primeira cliente engrossar a voz comigo que lá vou eu entrar o carro com os olhos cheios de lágrima soluçando palavras aleatórias como se o vazio que eu sinto aqui dentro fosse culpa do estresse no trabalho. É um vazio pedindo pra ser preenchido. Pedindo para eu parar de tentar enchê-lo com balas e me consolar com a velha desculpa de que final de ano é sempre igual. Eu sou sempre igual. Mais do mesmo, finita e previsível.

Add comment Dezembro 22, 2008

Tem uma plaquinha, escrito “Otária”, na minha testa

Só pode ser! Não consigo pensar em outra coisa escrita. Dane-se o ovomaltine, a balada apertada, mato grosso, foz do iguaçu, o alargador, a salada de “frustas”, a fazenda, aquele maldito sofá e a porcaria da sua cama! Dane-se a livraria moderninha que não aceita esperar dois dias para eu entregar a carteira de trabalho. Viva a gerente boazinha que me contratou em cima da hora. Viva o wii que me deixa com braços doídos a semana inteira. Morte a minha frustração aguda contagiante! Cadê a fanta uva? As minhoquinhas cítricas? Eu estou com aquela vontade de engolir o Burguer King inteiro mesmo não gostando de metade do cardápio. Vontade de sentar e imaginar vocês dois brindando o ano novo juntos, lindos e felizes, e eu a pessoa mais infeliz do mundo. Porque eu sou campeã em ter pena de mim mesma, sabe? Basta alguém dar uma pontinha de corda que eu faço o resto do drama inteiro. Sou boa nisso, muito boa mesmo. Também sou ótima em olhar no espelho e ver aquela plaquinha me chamando de exagerada e pedindo para eu fazer um favor para mim mesma: Deixar de ser patética. Ver que nem tudo é um furacão e que nem toda música precisa me lembrar alguém para eu gostar mais dela. Logo logo o ano acaba e eu vou poder amassá-lo como folha de papel, passando a limpo só aquilo e aqueles que eu gosto. Dar uma bicuda tão grande em 2008 que nem vou mais lembrar que existiu.

Pronto! A plaquinha foi embora! Quero ver agora quem vai ser besta de escrever outra coisa nela.

8 comments Dezembro 17, 2008

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