Archive for Abril, 2009
Mais de mim, menos do resto
Não sei se foi o “não” bem grande que a minha mãe me disse quando levantei da cama 1h30 da manhã e avisei que ia sair. Não sei se foi o desejo de comer brigadeiro de panela. Não sei se foi a balada fustrante de quarta ou o carinha frustrante que estava nela. Também não sei se foi o saldo que só diminui, a matrícula que só aumenta, o meu medo de ficar sozinha aos 30 anos ou o medo do que eu faria para não ficar sozinha aos 30 anos. Não sei. Pode ter sido a sua foto nova no facebook, ou a saudade da sua antiga, que era muito melhor. Pode né? Pode ter sido a pilha de críticas que eu recebi em menos de um dia “bota uma progressiva nesse cabelo! seja mais simpática! sorria mais! estude mais! economize mais!”, mas acho que foi porque esqueceram do: “Seja feliz… MAIS!”
3 comments Abril 26, 2009
Nem vingança eu faço certo!
Eu estava no bar do hotel. Lógico! Onde mais eu estaria? Perto de mim, o garçom mexicano, o casal de velhinhos viajando à passeio e um cara diferente. Diferente mas interessante. Interessante mas metido. Metido porque era o tipo de pessoa tão bonita que ele mesmo deveria saber disso. Ele também estava sozinho no bar e atendeu todos os telefonemas ali mesmo, sem se importar com a música, com o barulho, com a voz meio alterada de sono e de bebida. Então eu concluí que ele não tinha mulher. Eu sabia que era uma conclusão precipitada, mas isso o tornava um bocado mais interessante. Pedi mais uma caipirinha e posicionei meu laptop estrategicamente, de forma que pudesse ver meu novo Tamagotchi da distração sem ser descoberta. Mas ele me descobriu, acho que fiquei olhando demais para a etiqueta da camisa dele. Devagar ele pegou o copo de Vodka e foi sentar na minha frente. Não disse nada, só respirou fundo e olhou para a parede de vidro do nosso lado. Eu fingi que não liguei, mesmo com o cara ali, sentado na minha mesa! Digitei meia dúzia de palavras, mas ele logo interrompeu meu tec-tec de teclado: “Consegue ler agora?”. Eu poderia mentir se logo depois não tivesse olhado para o bolso esquerdo da camisa dele. “Tommy Hilfinger” e esbocei um sorriso debochado. Malditos homens ricos! Malditos! Acham que toda mulher quer ser sustentada à dólares, viagens e carros de marca. “Eu não te conheço de algum lugar? Uau! Você é jornalista agora, não é?”. Agora? Como assim agora eu sou jornalista? O que eu era antes? “Estudamos juntos no ensino fundamental, lembra de mim? Diego?”. Diego, o playboy insuportável metido a gostoso que tirava com a minha cara! Que me fez voltar chorando para casa pedindo para a minha mãe trocar meu esmalte, porque “o Diego” falou que minhas unhas eram ridículas pintadas de bolinha. E ridículo era palavrão naquela idade! Hoje em dia me chamo de ridícula a cada texto que escrevo. “Oi, lembro sim! Tudo bom?”. AGORA o tal Diego era DJ badalado e viajava o mundo discotecando as festas mais TOPS do planeta. E AGORA eu era uma jornalista, escritora e encalhada que bebe sozinha em bar de hotel. Ele se amarrou em me ver magra, de cabelo penteado e vestindo roupas de lycra e não mais conjuntos de moletom coloridos. Eu me amarrei de ver ele babando para a mulher que estava na frente dele. Era a vingança mais pura e gostosa que eu já havia experimentado. O resto da conversa durou a noite inteira no bar, 1/4 da madrugada no corredor e os restantes 3/4 na minha cama. Acordei no dia seguinte olhando o peso morto ao meu lado, sussurrei para mim mesma: “Ridícula”.
1 comment Abril 24, 2009
O que me resta
Uma dor de garganta, uma vontade e… Uma, somente uma saudade.
Add comment Abril 20, 2009