Archive for Fevereiro, 2009

Tá bom, eu vou falar: Eu sinto!

A gente tende a essa coisa louca de não querer contar para os outros o que a gente é, foi, fez, quer fazer… e pior: o que a gente sente. Um bocado de vezes me peguei querendo escrever algo aqui e não fazendo por medo de quem vai ler. Todo mundo sente saudade, sente amor, sente dor, sente todas essas coisas bonitinhas! Mas ninguém fala quando sente vontade de beijar a balada inteira, de encher a cara ou de puxar o cabelo da vagabunda que ele comeu naquela viagem para a praia. São coisas feias né? Não é certo sentir isso… mas TODO MUNDO sente! E ciúmes? Dá pra segurar? Dá pra fingir que nao sente? Não dá! Por mais que eu fique quieta, está estampado na minha testa! Aí aparece aquele amigo gay que finge que não leu e pergunta “que cara é essa?”. É fome! Fome é desculpa pra tudo, menos para enganar o amigo gay. Menos para ciúmes. Aí a saudade começa a bater, depois vem a vontade, a solidão, bate tudo no liquidificador e vira essa mistureba aqui se revirando no meu estômago, no meu peito, na minha cabeça. Dá vontade de botar tudo pra fora! Cadê meu amigo gay? Eu preciso de um abraço, de uma dança, de um sex on the beach que me deixe bêbada como da última vez. Preciso de alguém que olhe na minha fuça e diga para eu parar de sentir tudo assim, de me incomodar com tudo assim. Mas ciúmes é tudo assim sim! “Mas é ciúmes do que não existe Sofia!”. Existe sim! Porque eu tenho sexto sentido, sétimo, oitavo, trezentos! Trezentos, ouviu bem?!?! Sou tipo uma super mulher, super sensível, super exagerada, super cheia de vontade de ir na maldita festa da espuma com você. Super cheia de sentir uma coisa que eu não sei explicar e que eu só sinto quando eu desligo o telefone. É raiva, é saudade, é choro, é ciúmes, é… Ai que vontade de ser chata! De ser uma namorada pentelha igual daquele seu amigo lá. Só por um dia! Só para não viver me perguntando se alguma coisa aconteceu nessa festa. Mas eu quero ser legal! Eu quero ser a garota que você sempre quis. Bonita, simpática, engraçada, sorridente… e liberal! Por mais que o último quesito exija mais de mim do que a minha vontade. É, vou terminar dizendo que está tudo bem, que ele pode ir, que eu vou ficar bem porque amanhã vou jogar stop com as minhas amigas quando acabar o assunto. Que nada! Estou aqui, enfiada no computador com um refrigerante de guaraná com chá verde que eu odiei, me mordendo de raiva do carnaval. Época imbecil que me faz escutar sempre o mesmo “iiihh” quando eu falo para onde você foi e onde eu me encontro. Tá vendo? É raiva das pessoas! É raiva dos outros! Das outras principalmente! Quantas outras existem numa festa da espuma? Porque eu estou aqui tomando um refrigerante verde e tentando adivinhar, mas não estou conseguindo! Puxa vida, tudo isso para ser legal. Todo esse esforço e escuto uma vozinha no telefone que quase diz para eu parar de ligar. Ta bom, eu paro. Eu vou escrever a noite inteira um monte de baboseiras que ninguém escreve, sobre as vontades que ninguém fala e tomar esse refrigerante… que ninguém toma!

4 comments Fevereiro 23, 2009

Ah… se a porta 3 abrisse primeiro!

Há muito tempo eu queria ter alguém para ver e algum lugar para ir. Há muito tempo eu queria fazer isso, mesmo que “isso” seja nada! Mesmo que “nada” seja assistir Globo Repórter, seja pegar um filme no final ou deitar junto até dormir. Há muito tempo eu não abraçava forte alguém para chorar. Bom, há muito tempo eu não abraçava forte alguém ou algo para nada! Agora fico com essa vontade louca de descer do ônibus toda vez que passo na frente da sua casa. É tão mais perto, é tão mais rápido, é tão melhor! Então começa a gincana: “Se o cara gordo de camisa listrada tossir, eu desço!”. Não tosse. “Se a porta 3 abrir por primeiro, eu desço!”. Não abre, ela nunca abre! Só para estragar meu plano de tocar a campainha com a maior cara lavada do mundo gaguejando uma desculpa qualquer. Mas eu tenho medo, medo de uma coisa que eu nunca tive! Do engano. Aquela coceirinha que dá na gente e que fala bem baixinho no ouvido para pisar leve. Para não afundar o coração e deixá-lo bem seguro no bolso. Não dar, nem esconder, não perder!

Agora eu ando por aí (sem descer do ônibus) torcendo para o engano estar enganado outra vez.

2 comments Fevereiro 18, 2009

A primeira vez que entendi

A primeira vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na infância
cortei o rabo de uma lagartixa
e ela continuou se mexendo.

De lá pra cá
fui percebendo que as coisas permanecem
vivas e tortas
que o amor não acaba assim
que é difícil extirpar o mal pela raiz.

A segunda vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na adolescência me arrancaram
do lado esquerdo três certezas
e eu tive que seguir em frente.

De lá pra cá
aprendi a achar no escuro o rumo
e sou capaz de decifrar mensagens
seja nas nuvens
ou no grafite de qualquer muro.

Affonso Romano de Sant’Anna

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