Archive for Julho, 2008
Espera
es.pe.rar (lat sperare)
1. Ter esperança em, estar à espera de, contar com 2. Aguardar 3. Estar na expectativa 4. Contar, obter; ter como certo ou muito provável conseguir: 5. Confiar no auxílio ou proteção 6. Conjeturar, supor 7. Estar de espera (emboscada) para acometer. 8. Estar na fase final da gravidez.
Esperei para nascer. Esperaram minhas primeiras palavras e os meus primeiros passos. Esperei para crescer. Esperei o meu corpo crescer. Esperamos um grande amor e uma voz no ouvido, esperamos as agonias da paixão. Esperamos um sentido para respirar ter algum sentido além de receber ar e expelir gás carbônico.
Espero ter coragem. Esperamos crer. Esperamos a noite chegar. Espero para ler um livro. Esperamos que toque aquela música. Esperamos os risos e as lágrimas imprescindíveis.
Esperamos para falar o que não devíamos ou queríamos. Espero as possibilidades, e as impossibilidades também.
E espero para viver, para sentir, para morrer. Esperando o tempo de cada coisa. A espera, angustiante. Esperar e re-esperar. A velha quimera de ser feliz,sempre.
Esperar, como diz uma canção que ouvi por aí, contratos feitos com o tempo.
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Obs.: Esse texto é um republicação. Sofia Ricci está correndo atrás da matéria atrasada (e a soneca da tarde não está ajudando em nada).
5 comments Julho 31, 2008
Um todo de mim
Isso me dá vontade de fazer tudo, de inventar tudo e de ficar para sempre. Esse negócio todo, todo esquisito, todo estranho, mas que de todo diferente, me deixa toda feliz. Eu gosto desse todo que me invade, desse todo de amora, de café, de água com gás. Um todo vermelho, de bicicleta amarela com uma Canon preta na mão. Olha, eu gosto mesmo disso, desse negócio de se sentir bem. De escrever sobre o presente e não sobre o passado. De deitar na cama e pensar no amanhã, no depois de amanhã, no depois e depois. Logo eu, que de tão preguiçosa não movia um dedo para retornar ligações, que escondia o celular na bolsa, que nunca tinha tempo para nada! Cadê aquela sofia que estava sempre dando mole para o pegador cheio de marra? Que não perdia uma noite com as amigas? Que tinha fobia a namoros e encarava qualquer relacionamento aberto e sem compromisso? Deve estar agora escutando Zeca Baleiro, Fernanda Takai, John Mayer. Deve estar estudando para o segundo semestre ou procurando algum programa para sábado a tarde. Deve sim estar com o celular na mesa e o coração na mão.
4 comments Julho 26, 2008
Vida em Fita
É amarela, brilhante, leve, fina, flutuante. A ginasta sacode, vira, gira. Movimentos bruscos que eu só consigo ver em câmera lenta. Imagino ali, naquela fita, minha vida escrita com letras miúdas. Sinto minha barriga gelar, sinto o vento que bate na fita, no rosto, bochechas. Abro a boca. Que bobeira! Vida em fita não se sente. Sobe, desce, gira, cai no chão, a ginasta pega. É alguém. Continuo ali e penso qual parte da minha vida está escrita na ponta da fita: Meu início ou meu fim? No fundo a trilha sonora acelera aos poucos e a minha fita, minha vida, história em seda, acompanha. A música termina com um estampido. Seria meu auge? Meu apogeu de alma? A fita acaba ao chão, guardada horas depois em um baú de madeira, com bolas, argolas, bambolês e outras fitas, outras vidas, formas coloridas que juntas buscam sintonia.
Todo espetáculo tem seu fim.
2 comments Julho 23, 2008