O tempo todo

Quando eu era criança, brincava de montar livros com as folhas de rascunho do trabalho do meu pai. Elas eram cheias de linhas retas. Achava divertido imaginar que meu pai ganhava dinheiro desenhando linhas retas e quadrados. Demorei para entender o duplo-sentido da palavra “planta” – principalmente devido a minha falta de interesse àquela mesa inclinada. De qualquer forma, nunca liguei muito para as linhas, assim mesmo montava meus livros. Inventava histórias, desenhava. Até o dia que meu pai fez várias cópias da minha arte e distribuiu entre meus amiguinhos. Parei. Mesmo com os elogios eu parei. Depois passei a escrever diários, eram mais seguros, por mais mongos que parecessem ao serem lidos anos depois. Para falar a verdade, até hoje escrevo. Mania. Na febre dos blogs, mantinha pelo menos 4 páginas online em conjunto com diversas amigas. Atualizava todos os dias algum recadinho cor de rosa. Mantinha meu marketing pessoal ativo. Coisa de pré-adolescente. Passei dessa fase (ufa!), mas permaneci com a mania de escrever. De repente, quando me dei conta tinha 1 caderno pautado de Física com todas as folhas preenchidas! Bem, a Física acabou ficando só na intenção, aula era boa mesmo era para divagar! Então me ferrei. Peguei final em todas as exatas e pela primeira vez troquei o lápis pela calculadora – ou só fiz os dois se conhecerem debaixo do meu teto… ou sobre o meu caderno?! Não importa. Peguei assim a mania de ler virtualmente. Peguei mania das “Garotas que dizem Ni”, da “Tati Bernardi”, do “2 neurônios”, da “Milla”. Quis então pegar mania de mim mesma… Será que dá?! Deu. Virei fãzona do meu blog. Descobri que podia escrever nele tudo o que quisesse! A maior mentira do mundo e a pior verdade tinham espaço lá. E quem diria?! Juntas davam um post ótimo! Aos poucos me acostumei com a sensação de ler pensamentos antigos e me achar ridícula. Aos poucos, gostei de me achar ridícula. Era um tanto quanto aliviante me ver assim, humana. Só foi preciso um empurrãozinho (agradeço isso ao primeiro namorado imprestável que tive) para desenrolar uma personagem dramática e humana, com meias coloridas e relacionamentos conturbados. Depois essa personagem virou outra diferente, outro namoro, outro caso, outro desejo… e outra meia. Me divirto muito escrevendo no meu espaço. É flexível, toma o tamanho e a forma que eu der a ele. Obediente – como todos os namorados deveriam ser. Claro – como todos os meus recadinhos rosas um dia já foram. E pesado – como todo o meu coração e a minha cabeça, juntos são.

4 comments Agosto 24, 2009

Para o que vale a pena, nada é muito tarde, não há tempo limite; você para quando quiser. Você pode mudar, ou ficar igual – não há regras para isso. Nós podemos tirar o melhor ou o pior disso. Eu espero que você veja coisas que te deixem sobressaltada. Espero que você sinta coisas que nunca sentiu antes. Eu espero que você conheça pessoas com um ponto de vista diferente do seu. Eu espero que você viva uma vida que se orgulhe. Se você ache que não está acontecendo, eu espero que você tenha a força para recomeçar tudo de novo.

- O Curioso Caso de Benjamin Button.

4 comments Julho 19, 2009

O amor-demais

Eu adoro a maneira como você sussurra no meu ouvido. Seja o que for! Adoro tuas surpresas, tuas caras, teus mimos. Eu adoro tanta coisa em você que até tenho medo de te adorar demais. E fico nesse empasse de me aventurar de novo. Aí pode vir qualquer ex e jogar na minha cara em poucos segundos que eu sou incapaz de gostar de alguém ou de deixar isso acontecer. É verdade, sou mesmo. Sou esse tipo de mulherzinha que se veste de não-amor só para se proteger do amor-demais. Que você, carinha, até tem medo de falar a palavra “nós” que é pra não assustar a coitada. Sou mesmo um bocado de medo estampado na cara e no coração. Sou mesmo do tipo que sente o mundo cair quando olha no espelho de manhã e vê ali um sorrisinho no canto da boca. Aquele que só pessoas que amam outras pessoas têm. Aí vem você, quieto, calado, sorrindo. Sem medo nenhum da mulher não-amor. Vem devagar e logo estou lá, no seu quarto, na sua casa, conhecendo sua irmã, mãe e pai. E puxa, como eu gostei deles! E puxa, como a sua cama é boa, como o seu colo é quente, e como… como eu gosto de você e das flores, e das fotos, e do mundo mais tranquilo e organizado como ele fica quando se tem alguém para amar. E o tal do ex se mordendo porque viu o tal do sorriso matinal no canto da boca. Quem sabe eu esteja aprendendo a gostar de alguem, quem sabe a mulher não-amor… se recheie de amor demais.

1 comment Junho 29, 2009

Previous Posts


Hoje é dia…

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Ago    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Categorias

É passado (ou não)

Mais acessados

Lista de blogs